Cristão pode acreditar em horóscopo, signos e astrologia?

Vivemos em uma cultura onde a astrologia é amplamente difundida. Nas redes sociais, perfis dedicados a signos reúnem milhões de seguidores; em aplicativos de mensagens, circulam previsões diárias; e em sites de relacionamento, a compatibilidade entre signos é frequentemente destacada. Para muitos, pode parecer algo inofensivo, uma mera curiosidade. Mas para o cristão, a questão vai além: é compatível seguir a Cristo e acreditar em horóscopos, signos e astrologia?


1. Um breve histórico da astrologia

A astrologia remonta à antiga Mesopotâmia, especialmente entre os babilônios (séc. VII a.C.), que observavam o movimento dos astros para tentar prever guerras, colheitas e até o destino dos reis (BARTON, 1994). No Egito, os horóscopos começaram a ser usados para prever a sorte individual. Posteriormente, os gregos integraram a astrologia à sua filosofia natural, e os romanos a popularizaram no Império.

Hoje, a astrologia persiste como um fenômeno cultural e espiritual. Em países como o Brasil, pesquisas mostram que cerca de 25% da população já consultou horóscopo em algum momento (DATAFOLHA, 2018).

Essa longa permanência mostra que o ser humano continua buscando orientação fora de Deus, confiando em forças criadas e não no Criador.


2. A perspectiva bíblica sobre horóscopos e astrologia

A Bíblia apresenta um posicionamento claro contra práticas de adivinhação:

  • Deuteronômio 18.10–12: condena toda forma de adivinhação, presságio e consulta a médiuns. O texto é contundente ao afirmar que tais práticas são “detestáveis ao Senhor”. Isso mostra que a astrologia não é apenas um hábito cultural, mas algo espiritualmente ofensivo diante de Deus, porque tenta substituir a revelação divina por meios humanos e ocultos.
  • Isaías 47.13–14: ironiza os astrólogos, dizendo que não poderiam salvar ninguém no dia do juízo. Aqui, o profeta denuncia a fragilidade de confiar nos astros, lembrando que, diante do julgamento divino, nenhuma força criada pode oferecer proteção. Os que buscavam segurança nos mapas astrais acabariam em total desamparo.
  • Jeremias 10.2: “Assim diz o Senhor: Não aprendam os costumes das nações, nem fiquem aterrorizados com os sinais nos céus, embora as nações fiquem aterrorizadas com isso” (NVI). O profeta alerta contra a imitação de práticas pagãs. Para o povo de Deus, o céu deveria ser sinal da glória do Criador, e não motivo de medo ou superstição.

Esses textos mostram que, já no Antigo Testamento, Israel era cercado por povos que se guiavam pelos astros e pelos presságios. O Senhor, entretanto, ordenava que Seu povo fosse diferente, vivendo pela fé e não pela superstição.

No Novo Testamento, os apóstolos também alertam contra confiar em “filosofias vãs” e enganos que desviam de Cristo (Colossenses 2.8). A confiança em horóscopos se enquadra nisso, pois tira de Jesus o papel de guia da vida. Além disso, Paulo afirma que os cristãos foram libertos das “trevas” e transportados para o reino de Cristo (Colossenses 1.13), o que significa abandonar todo vínculo com práticas que prendem o coração ao medo do destino.

Outro exemplo é encontrado em Atos 19.18–19, quando muitos novos convertidos em Éfeso queimaram publicamente seus livros de artes mágicas e ocultismo. Isso mostra que seguir a Cristo implica romper com práticas espirituais que competem com a soberania de Deus, incluindo a astrologia.

Portanto, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, o ensino é consistente: buscar direção em horóscopos e signos é rejeitar a suficiência da revelação de Deus e a condução do Espírito Santo.


3. A idolatria por trás da astrologia

A raiz do problema não está apenas em consultar previsões, mas no que isso revela: idolatria. A astrologia transfere para os astros o poder que pertence somente a Deus.

  • Em vez de reconhecer que “os céus proclamam a glória de Deus” (Salmo 19.1), a astrologia passa a tratar os céus como fonte de revelação autônoma.
  • Em vez de confiar na providência divina, coloca o destino humano nas mãos de constelações e planetas.

Para o cristão, isso é incompatível com o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses além de mim” (Êxodo 20.3).


4. A falta de fundamento científico

Além de não ter base bíblica, a astrologia também não encontra respaldo científico. Estudos mostram que o posicionamento dos astros no nascimento de uma pessoa não influencia personalidade ou destino (CARLSON, 1985).

A Associação Brasileira de Astronomia (ABA) afirma:

“A astrologia não é ciência. Não há comprovação de que a posição dos astros tenha qualquer influência direta sobre a vida humana” (ABA, 2019, online).

Assim, confiar em horóscopos não apenas contraria a fé cristã, como também carece de racionalidade.


5. Aplicações práticas para o cristão

Por que tantos cristãos ainda se deixam atrair por horóscopos? Algumas razões:

  • Desejo de controle: querer prever o futuro em vez de confiar em Deus.
  • Curiosidade: enxergar como “brincadeira” algo que a Bíblia chama de pecado.
  • Pressão cultural: amigos, redes sociais e até colegas de trabalho falam sobre signos como se fosse algo normal.

O cristão precisa lembrar:

  • Nossa identidade está em Cristo, não no signo.
  • Nossa direção vem da Bíblia, não de mapas astrais.
  • Nosso futuro está seguro nas mãos de Deus, não no zodíaco.

6. Conclusão

O cristão não pode acreditar em horóscopos, signos e astrologia. Essas práticas não apenas são condenadas pela Bíblia, mas também substituem a confiança em Deus por superstição. O cristão é chamado a viver pela fé, sabendo que o Deus soberano dirige todos os detalhes de sua vida.

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas” (Provérbios 3.5–6, NVI).


Referências

ABA – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ASTRONOMIA. Astrologia não é ciência. São Paulo, 2019. Disponível em: https://www.sociedadeastronomia.com.br/. Acesso em: 16 set. 2025.

BARTON, Tamsyn. Ancient astrology. London: Routledge, 1994.

BÍBLIA. NVI – Nova Versão Internacional. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.

CARLSON, Shawn. A double-blind test of astrology. Nature, London, v. 318, p. 419–425, 1985. DOI: https://doi.org/10.1038/318419a0.

DATAFOLHA. Opinião pública sobre astrologia e crenças espirituais. São Paulo: Instituto Datafolha, 2018. Disponível em: https://datafolha.folha.uol.com.br/. Acesso em: 16 set. 2025.

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