A igreja batista nasceu a partir dos movimentos de reforma eclesiástica que agitaram o século 16. Mais especificamente, os batistas descendem da igreja inglesa que, com Henrique VIII, rompeu com o catolicismo romano, dando início à denominada Igreja Anglicana.
Para algumas pessoas que pertenciam à Igreja Anglicana, a reforma de Henrique VIII devia ser mais ampla, indo além de questões institucionais e atingindo áreas de fé e doutrina. Esses grupos, por desejarem "um retorno ao Novo Testamento em sua forma mais pura", foram chamados de puritanos.
Entre os puritanos havia os separatistas que, além de se opor a certos aspectos teológicos da Igreja Anglicana, também não aceitavam o controle estatal da igreja, crendo que esta devia ser independente. A coroa inglesa não via com bons olhos esses movimentos e os considerava ilegais. Por isso, muitos desses grupos fugiram da Inglaterra e se fixaram em vários países.
Em 1609, uma congregação liderada por John Smith refugiou-se em Amsterdã, na Holanda. Ali, Smith teve contatos com os anabatistas e menonitas, sendo influenciado por esses movimentos no tocante a um retorno às Sagradas Escrituras, ao batismo somente de crentes e à rejeição do batismo infantil.
Em 1612, Thomas Helwys e outros membros da igreja fundada por Smith voltaram à Inglaterra e fundaram, em Londres, a primeira igreja batista. Essa igreja detinha traços distintivos batistas — a aceitação da Bíblia como autoridade final em fé e prática, a salvação pela graça mediante a fé somente, a separação entre a igreja e o Estado e o dever do governo de garantir liberdade de consciência e de culto.
Os batistas de convicção calvinista, também chamados de batistas particulares, originaram-se em 1633 a partir de um cisma na igreja liderada por Henry Jacob, em Londres. Esse grupo enfatizava as doutrinas reformadas, insistia no batismo dos crentes por imersão e tornou-se o segmento mais influente dentro do movimento batista inglês.
Espalhando-se para as mais diversas regiões do globo, os batistas muito cedo chegaram aos Estados Unidos. De lá veio para o Brasil o casal de missionários William e Anne Bagby. Em 1889, o casal Bagby fundou, em Salvador, a primeira igreja batista brasileira. A partir daí os batistas se espalharam por todo o País e, em 1907, foi organizada a Convenção Batista Brasileira.
Dez traços distintivos dos Batistas
- Adoção da Bíblia como única regra de fé e prática.
- Ênfase na doutrina da salvação pela fé somente.
- Destaque para o ensino do sacerdócio de todos os crentes.
- Separação entre Igreja e Estado com ênfase na independência da igreja.
- Autonomia de cada igreja local que adota a forma de governo congregacional.
- Cooperação entre as igrejas para a expansão do Reino de Deus.
- Prática do batismo por imersão ministrado somente aos crentes.
- Rejeição do batismo infantil.
- Consideração do batismo e da Ceia do Senhor como símbolos de verdades espirituais e não como sacramentos.
- Rejeição de doutrinas pentecostais especialmente no tocante ao batismo do Espírito Santo acompanhado pelo dom de línguas.
Ressalvas importantes
Os batistas não são os seguidores de João Batista
Muitos identificam os batistas com os seguidores de João Batista, mas esse entendimento é fruto apenas da intuição popular que percebe a igualdade dos nomes. João Batista e seus discípulos nunca fundaram qualquer igreja ou movimento religioso. O papel de João e seus discípulos se limitou a preparar o caminho para a vinda do Messias que é Jesus. Depois disso João saiu de cena.
Os batistas não adotam a Teologia da Prosperidade
O ensino de que os crentes de fé terão prosperidade material e livramento de doenças não é ensinado nas igrejas batistas genuínas por não ter amparo bíblico. Na Palavra de Deus aprendemos que dificuldades físicas e financeiras advêm tanto a crentes como a incrédulos.
Os batistas não têm comunhão com seitas paraprotestantes
Seitas paraprotestantes são aquelas cujos fundadores estiveram originalmente ligados de alguma forma a igrejas protestantes, mas romperam com elas por professarem doutrinas estranhas ao cristianismo histórico. Todos esses movimentos, à luz da Bíblia, não podem ser considerados cristãos.
Os batistas não praticam rituais de quebra de maldição
Rituais de quebra de maldição, supostas orações de poder, cultos de libertação espiritual, unção de objetos e coisas do gênero não são práticas adotadas pelos batistas ou por qualquer igreja bíblica. Essas superstições servem apenas para desfigurar o nome de cristão e desviar o coração das pessoas da verdadeira mensagem do evangelho.